Chegamos ao final de um ano conturbado. Um 2018 que nos trouxe protestos de caminhoneiros que paralisou o Brasil e protestos dos “coletes amarelos”, que radicalizam na França. Na Itália, a população deu 50% do poder a um partido que é anti-establishment, eleito graças à Internet, mas que até agora só causa controvérsias no trato da administração pública. Nos EUA, a guerra é com a China, que cresce e tem que se adequar às regras do jogo.

Em nenhum outro ano deu para constatar, como neste, que a babel de linguagens contemporâneas, graças à potência das redes sociais, fez com que democracias de vários países sofressem com mudanças fortes e desordenadas de protestos que surgem por vias laterais e canalizam o descontentamento dos que perderam com a globalização.

“As elites pensam no fim do mundo, nós pensamos no fim do mês”, rotulava um dos cartazes das manifestações francesas. A exigência de pessoas comuns por bem-estar e segurança se amplificou e o imediatismo no imaginário não dá tempo para vidas que temem por se transformarem em uma descarga do sistema. Construímos um modelo de vida radicalmente individualista que hoje a era digital leva a consequências extremas, com a comunicação imediata que elimina intermediários e chega bruta a públicos heterogêneos. E, com milhões de indivíduos socialmente isolados e economicamente à margem que reclamam por mais espaço, corre-se o risco de mudanças para um autoritarismo pleno que proclame a ordem.

É preciso dar uma resposta concreta para quem anseia por maior proteção social e resgatar de modo inteligente a relação entre a economia e a sociedade.

Esta estrada também deve ser percorrida pelo presidente eleito Jair Bolsonaro que, como retratado na capa da edição anterior, tem as chaves para dar uma nova partida ao Brasil. Como resolver a equação atual de muitos impostos, muitos gastos e pouca atividade econômica no País? Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o dinheiro das privatizações e os ajustes na Previdência são o caminho. E recorre a figura de linguagem de que “o Brasil reconstrói uma Europa por ano pagando juros”, que seria o valor de R$ 400 bilhões por ano relativos à dívida pública, para afirmar que essas reformas são sustentáveis ao diminuir os gastos do Orçamento federal. Para que o povo seja atendido, é preciso distribuir a renda de forma efetiva e mexer também na área fiscal.

Nossa capa traz um dos nomes mais influentes e respeitados no universo da moda. Nestes tempos difíceis, Costanza Pascolato nos ensina que o fundamental para a autoestima é manter a essência, “é o jeito mais inteligente de construir seu estilo, sua maneira de viver e de se vestir”. E ela também é taxativa ao afirmar que o ritmo de produção acelerada não dá espaço para trabalhos criativos.

Enquanto isso, as mudanças no governo federal já dão sinais de maior cooperação entre os países com o anúncio da extradição do terrorista Cesare Battisti. As empresas italianas, que investiram no Brasil e criaram grande número de oportunidades para a sociedade brasileira, que vão de melhoria de serviços e processos a geração de empregos, aguardam confiantes os avanços e a sustentabilidade do futuro brasileiro.

E para 2019, a revista Comunità espera chegar aos seus 25 anos acompanhando as mudanças no setor da comunicação, no ritmo certo. A informação online é uma realidade que precisa ser bem adequada. O conteúdo grátis espalhado pela rede tem um custo alto. O jornal Corriere della Sera, que vende mais de 500 mil exemplares diariamente, compara a um restaurante. “Imagine frequentar um local e descobrir que agora os clientes terão comida, atendimento e mesa pronta a custo zero. Todos podem comer de tudo a qualquer hora. Nos muros do estabelecimento estão publicidades com as quais o restaurante pensa em conseguir pagar as contas e ter lucros. Dia após dia, porém, a qualidade da comida e do atendimento cai, o local fica sujo e alguns clientes vão parar no hospital. Quanto tempo dura um sistema desses?”. O editorial segue mostrando as consequências drásticas da informação gratuita que circula na Internet e critica os chamados Over the Top, Google e Facebook, que se beneficiam das notícias que circulam em suas próprias plataformas. Nenhum site de notícias consegue se manter com a própria publicidade e os leitores ainda preferem o jornal impresso para se aprofundarem no conteúdo.

Nossa Comunità, além da informação de qualidade, preza por uma veste gráfica, que é uma arte colecionada por nossos assíduos leitores. Queremos chegar ao nosso Jubileu com o que construímos de mais importante ao longo destes anos, uma sólida ponte entre a Itália e o Brasil. Iremos concretizar nossos projetos sempre respeitando o nosso público leitor.

Boa leitura! Boas festas e um bom 2019 a todos!