Os deputados italianos aprovaram na noite de sábado (29), em um ambiente eletrizante, o orçamento de 2019, o primeiro do Executivo populista, revisado e corrigido após uma longa disputa com Bruxelas

O texto é fruto de um acordo duramente negociado com a Comissão Europeia, que havia rejeitado a versão inicial pela primeira vez na história da União Europeia (UE). Pouco antes do Natal, ele foi aprovado pelo Senado.

O governo de união entre o Movimento 5 Estrelas (M5E, anti-sistema) e a Liga (extrema direita), no poder desde 1º de junho, teve que limitar uma parte de suas principais medidas para manter o déficit público em 2,04% do Produto Interno Bruto (PIB), contra os 2,4% iniciais. A previsão de crescimento para 2019 foi reduzida para 1%, em vez de 1,5%.

A Itália terá que conter sua dívida pública, que excede 130% do seu PIB, para evitar uma sanção dos mercados financeiros e um processo por infração da UE.

A briga entre o governo italiano e a UE começou em outubro, quando a Itália apresentou um orçamento com previsão de déficit de 2,4% do PIB, muito superior ao 0,8% com o qual o governo anterior havia se comprometido. A Comissão rejeitou oficialmente o projeto em 23 de outubro.

O acordo fechado no último dia 19 com Bruxelas previa bilhões de euros de economia nas duas principais medidas do governo: a reforma das pensões, a pedido da Liga, e uma renda mínima em favor dos mais desfavorecidos, impulsionada pelo M5E. As duas medidas serão lançadas em abril.