Declarações dos candidatos mantêm a chama sobre o tema da imigração e a tragédia ocorrida em Macerata acesa

Após o crime ocorrido em Macerata, província italiana, onde seis pessoas foram mortas e o atirador era um ex-candidato pelo partido Forza Italia, o tema “imigração” intensificou-se como a questão central da campanha eleitoral para a votação no dia 4 de março.

Sobre o assunto, o líder do Partido Democrático (PD), Matteo Renzi, resumiu o discurso alegando sentir-se “orgulhoso por salvar vidas no mar”. O ex-premier mencionou a recente tragédia em Macerata e afirmou que, mesmo que tenha perdido pontos na pesquisa, sente-se em “paz ao olhar seus filhos”. “Nós não cederemos na luta contra a lama daqueles que querem ganhar meio ponto de sondagem, explorando o ódio e a inquietação”, acrescentou.

Líder da Lega, Matteo Salvini, notoriamente a favor do discurso xenófobo, mantém-se irredutível na campanha contra a imigração, uma das bandeiras políticas da centro-direita na corrida eleitoral. Ele deduz que o aumento da população carcerária na Itália se deve aos imigrantes e acusa, embora veladamente, ter sido o atual governo sob o comando do PD responsável direto pelo cenário migratório para a Itália: “Quando há 40% da população prisional composta de imigrantes, então se arrisca criar um choque social, o que para mim alguém queria que acontecesse”.

Igualmente contrário à imigração, o Movimento 5 Stelle (M5S) também se posicionou sobre o espinhoso tema, porém mais comedidamente. O líder do partido, Luigi Di Maio, propõe um debate menos ácido e mais equilibrado sobre o assunto. Ele promete, em caso de vitória nas urnas, “paz” entre Roma e a Líbia, além de “uma liderança moderada” para o Ministério das Relações Exteriores. “Enquanto a crise da Líbia não for resolvida, a União Europeia não pode pensar que a Itália é um porto fechado ou um campo de refugiados da UE”, assinalou Di Maio. “A UE é o lar natural do nosso país e também do M5S”, completou ele, durante discurso na Link University.

Para o presidente do Parlamento de Estrasburgo, Antonio Tajani, a posição política de Salvini não é contrária à Europa e sim “legítima e crítica” à atual situação em que vive a Itália. Tajani defende o posicionamento do Forza Italia e de Salvini e afirma que seu partido tem se envolvido nas questões da Europa e que nunca afirmou que a Itália deveria abandonar o euro.

Em meio a um debate acirrado e extremamente polarizado sobre a imigração na Itália, abriu-se uma perspectiva para que seja retirada da Constituição a palavra “Raça”, porém a proposta não é uma unanimidade entre os parlamentares.

Ricardo Maggi, da lista + Europa, espera que uma autorização humanitária seja enviada aos feridos em Macerata. Beatrice Lorezin, da Civica Popolare, segue o apelo do presidente Sergio Mattarella e pede “senso comunitário”.

COALIZÃO GOVERNANTE, NEM PENSAR — Após Berlusconi tornar pública sua indisposição para uma ampla abertura política caso saia vitorioso das urnas, porém sem a maioria, o ex-premier encontrou uma adesão improvável ao seu discurso. O rival Renzi (PD).  “Penso exatamente como Berlusconi, se não há números [maioria nas votações], volte-se a votar. O PD jamais irá trabalhar com os extremistas”, disse o líder dos democratas.

Enquanto isso, Pietro Grasso, da Liberi Equuali, fala sobre os ataques que a presidente da Câmara, Laura Boldrini, vem sofrendo na web, e que, segundo ele, devem ser denunciados. (Com informações das agências e jornais italianos)