O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, convidou um grupo de governantes para uma “reunião de trabalho informal sobre questões de migração e asilo”, no próximo domingo (24), poucos dias antes do encontro de cúpula da UE consagrado ao tema, que divide o bloco

“O objetivo da reunião, que acontecerá no domingo em Bruxelas, é trabalhar em soluções europeias para o Conselho Europeu”, escreveu no Twitter o presidente do Executivo da UE.

Os líderes dos países mediterrâneos que estão na linha de frente da chegada de migrantes — Itália, Grécia e Espanha — teriam sido convidados para a reunião, assim como os governantes da França e Alemanha, e os da Bulgária e Áustria, países que exercem em 2018 a presidência semestral da UE, segundo uma fonte diplomática.

O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, confirmou sua participação e afirmou que deseja contribuir para uma “resposta europeia coordenada” à questão da migração. O país, na semana passada, rejeitou, junto da Itália, o recebimento do navio Aquarius, que transportava 629 migrantes resgatados na Costa da Líbia. A embarcação foi enviada, após dias de impasse, ao Porto de Valência, na Espanha.

Os europeus pretendem aprovar na reunião de 28 de junho sua nova política de asilo, mas a recepção às centenas de milhares de migrantes que chegaram à Europa desde 2015, especialmente à Itália e Grécia, divide o bloco e provoca tensão entre os países membros.

Na quarta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, defenderam o estabelecimento de um acordo europeu para que os soliciatantes de asilo sejam devolvidos aos países de entrada da União Europeia — proposta tem se mostrado particularmente espinhosa para os países-membros do bloco, sobretudo os que estão no litoral mediterrâneo.

Segundo Macron, a Europa enfrenta “uma escolha de civilização” diante da retórica antieuropeia e nacionalista que já predomina ou pelo menos vem ganhando força eleitoral em diversos países do Velho Continente — incluindo Itália, França, Hungria e Alemanha.

Na Itália, o país mais afetado pela crise migratória no continente, um governo populista com participação de correntes de extrema-direita assumiu o poder, com a promessa de frear os desembarques de imigrantes e requerentes de asilo no Mediterrâneo. O governo italiano acusa a UE de faltar com solidariedade no acolhimento de migrantes, sobrecarregando os países que ficam na linha de frente, como Itália e Grécia.

(O Globo)