Assistir às entrevistas com candidatos à presidência do Brasil foi uma imensa perda de tempo. Deles, dos telespectadores e de um Brasil urgente. Os convidados foram submetidos a interrogatórios inócuos. Perguntas acusatórias com a intenção de irritar, intimidar, desmentir e constranger os candidatos purgaram o ódio oculto de jornalistas inquisidores, especialmente contra os “antipáticos” à ideologia de esquerda. Perguntas sobre arquivos da ditadura, cotas, aborto, discriminação sexual, demarcação de terras indígenas, dívida com a escravidão (?), coligação com esse ou aquele partido ou político acusados de corrupção e inúmeras outras picuinhas reducionistas diante das imensas dificuldades que o país atravessa. Alguns desses assuntos são de fato importantes, mas não ali nem nesse momento de país em rota de colisão. Desperdiçamos as poucas oportunidades de conhecer propostas para gerar empregos, ativar a produção e a economia, implantar uma dieta detox fiscal, promover reformas fiscal, previdenciária, trabalhista, política, saúde, educação, segurança pública, transporte, justiça social, combate à corrupção, liberalização/desestatização da economia,privatização de paquidermes estatais e venda de ativos, parcerias internacionais e tantas outras demandas urgentes para um país continental doente.

Em vez disso, os jornalistas quiseram aprender a jogar xadrez com a partida no ar. Perderam a oportunidade de adotar postura construtiva em benefício da exposição pelos candidatos dos respectivos programas de governo ao grande público de eleitores. No lugar de perguntas propositivas que estimulassem aexposição de idéias, assumiram um protagonismo canastrão, com direito a sorrisinhos cínicos.

Nos debates, outra arena, soltam os candidatos para se digladiarem numa sórdida sequência de acusações (muitas delas pessoais e quase todas aparentemente verdadeiras) mútuas do mais baixo nível, que nada interessam ao público, muito menos ajudam a construir um país melhor. Espremendo, o suco dessas experiências evidencia o despreparo dos pretendentes, e que enxergam o caminho da vitória través do cruento desrespeito mútuo (e com os telespectadores), e não com propostas consistentes. Deixam claro que disputam a carniça da velha política, e não as melhores ideias para a reconstrução do país.

O atual modelo surrado de programação de entrevistas e debates mostrou que não leva a lugar nenhum, não cumpre o seu objetivo. Os entrevistadores não conseguem extrair o que eleitorado espera ouvir. A profissão do jornalista é nobilíssima e fundamental para uma sociedade. São eles que levam informações de qualidade ao público. Mas com absoluta certeza nada têm a ver com as performances a que temos assistido na televisão. A programação atual de entrevistas e debates insiste num modelo surrado para apresentação de candidatos e propostas.

Acredito num modelo com entrevistadores reconhecidos por transformar obstáculos em oportunidades e implementar mudanças. Um conjunto de empresários, economistas, médicos, especialistas em segurança pública, financistas, juristas, advogados, altos executivos da iniciativa privada e outros profissionais geradores de riqueza, que é daí que podemos esperar caminhos efetivos de superação. Pessoas obstinadas por resultados, que lidam diariamente com a adversidade, que acordam cedo para pescar, e não dormindo na rede à espera do peixe e do seu variado portfólio de bolsas assistencialistas. Eles próprios seriam os entrevistadores, mostrando as suas visões de caminhos para o futuro. Nada de bancada entrevistadora esquerdoide e especialistas em estudos para distribuir pobreza e em ligar o nada a lugar nenhum.

Mas o brasileiro precisa acordar e fazer a sua parte. É assustador vermos o ectoplasma de um ex-presidente condenado, preso, obsediando (ainda) milhões de eleitores após tantos anos de condução do país ao inferno.