Com a Itália fora da Copa, italianos que moram no Brasil optaram por torcer para a Seleção Canarinho

A eliminação da Itália da classificação para a Copa da Rússia ainda é difícil de digerir pelos italianos. O país tetracampeã é o único time campeão do mundo a não disputar a Copa este ano. E agora? Para qual time estão torcendo os italianos? Comunità conversou com os italianos que residem no Brasil. Alguns disseram ser fieis à Azzurra e não torcer para outro time, outros mostraram pouco interesse para esta edição da Copa do Mundo, porém a maioria disse que não ficaram órfãos de uma equipe para torcer e escolheram apoiar o Brasil.

Nascido na Itália, o empresário Alberto Bertolazzi chegou ao Brasil junto com a sua família quando tinha 13 anos. Fixou residência em São Paulo e hoje se divide entre Blumenau, onde tem a sede da sua empresa, e a capital paulista. Ele admitiu que este é o primeiro ano que torce pelo Brasil numa Copa.

— É uma pena que a Itália não joga, faz falta na Copa. Sempre torci pela Itália — afirmou Bertolazzi, originário de Milão, porém criado na região da Umbria. Segundo ele, devido à situação político-econômica do Brasil, ainda não se sente muito o clima nas ruas. — No passado era mais comum ver as bandeiras nos carros ou penduradas nas janelas. Este ano ainda não se sente muito o clima de Copa do Mundo. Talvez se o Brasil passar para as próximas fases, o clima vai esquentar — opinou o empresário que mora no país há mais de 50 anos.

O consultor gastronômico e chef italiano, Arnaldo Pantani, também está torcendo pela seleção canarinho, pois é o time da sua esposa e dos seus filhos. Originário de Nápoles, Pantani mora no Rio de Janeiro desde 2010 e esta é a terceira Copa que vê no Brasil. — Em 2014 trabalhei no dia da final quando a Alemanha ganhou da Argentina. Mesmo sendo contra da Alemanha, tive que preparar a comida para o time alemão que era hospede no hotel onde trabalho — contou o italiano. Aquele dia ficou para sempre nas lembranças de Pantani porque foi quando ele conseguiu ver de perto o objeto tão almejado por todas as seleções do mundo inteiro, a taça da Copa do Mundo. Apaixonado pelo futebol, o chef definiu a experiência como algo único e irrepetível e guarda essa lembrança com muito orgulho.

Italiana que está no processo de adquirir a nacionalidade brasileira torce para o seu segundo país

Outra italiana que também mora no Rio, é Tina Lucente, originária da Calábria, mas romana de adopção. — Estou torcendo pelo Brasil porque estou no processo de naturalização brasileira e é o mínimo que eu possa fazer — ressaltou a futura ítalo-brasileira. Ela disse que nas passadas edições da Copa do Mundo, torcia só para Itália, mas a partir desta Copa vai torcer pela seleção verde amarelo e nas próximas para ambos os times. Para ela, a paixão pelo futebol é igual tanto na Itália quanto no Brasil e nisso são dois países irmãos. Ao ser perguntada como está vivendo o fato da Itália não estar participando da Copa, ela disse que está menos triste do que imaginava, porque recentemente comemorou à distância a subida do time da sua cidade de origem, Cosenza, para segunda divisão, após 30 anos.

— Eu gosto muito de futebol, mas não acho que seja uma razão para chorar ou fazer um drama. É claro que quando vencemos em 2006 eu estava em Roma, todos desceram para rua e foi uma festa belíssima. Se acontecer a mesma coisa com o Brasil este ano ou daqui a quatro anos, eu já sou quase brasileira e para mim será a mesma emoção que foi em 2006 na Itália — comentou Lucenti.

Um torcedor um pouco mais perplexo é o pugliese Andrea Attanasio que mora há três anos em Brasília. Ele disse que está torcendo pelo Brasil, porém caso ganhasse outra Copa, viraria hexacampeã e isso não é uma coisa que o deixa muito animado, já que a distância com a Itália que é tetracampeã seria ainda maior. O empresário casado com uma brasileira, mora no Brasil há três anos e é a primeira vez que assiste uma Copa do Mundo fora da Itália. — Não achava que os brasileiros fossem tão loucos pelo futebol. Vivem o futebol muito intensamente, até mais que os italianos. Quando a Seleção joga tudo fecha: bancos, praça de alimentação, lojas…Isso na Itália é inimaginável — comentou Attanasio, pai de uma menina ítalo-brasileira recém-nascida.

Outro italiano que mora na capital brasileira é o chef e empresário calabrês Giuseppe Modafferi que este ano está torcendo para o Brasil. Ao ser perguntado sobre como está vivendo o clima desta Copa, disse estar mais tranquilo, sem ansiedade ao contrário das outras passadas edições, quando jogava também a Itália.

Italianos ficam impressionados com o clima da Copa no Brasil

Outro italiano torcedor do time canarinho é o pizzaiolo Stefano Caproni que mora em Vila Velha, no Espírito Santo, há um ano e meio. Para ele, esta é a primeira vez que assiste a Copa do Mundo no Brasil e considera que o clima é mais animado do que no seu país de origem. — Tudo para aqui. Para os brasileiros é muito mais sentida a Copa, da mesma forma entre homens e mulheres, enquanto na Itália há uma predominância masculina — destacou Caproni, originário de Terni, na Umbria. Ele já entrou no clima e decorou a sua pizzaria com as bandeiras verde e amarela, porém ficou triste pela não qualificação da Itália. Os seus clientes se solidarizaram com ele e lhe disseram que uma Copa sem a Itália, não é a mesma coisa e lamentam que este ano não esteja disputando a competição.

Entre os apoiadores da Seleção está também Raffaela Ferrero, originária de Verona que mora em Vitória há 9 anos, porém disse que está muito triste pela Azzurra. — É claro que torço pelo Brasil, mas não perderei dias e horas de trabalho como fazem eles…Acho um absurdo! — lamentou a veronese.

Outra italiana que mora na capital capixaba é Lisa Spolverato, originária de Pádua. Casada com um brasileiro e com dois filhos, um nascido na Itália e outro no Brasil e disse que este ano está torcendo para o Brasil, mesmo que com um pouco de amargura.

— Teria sido melhor poder apoiar a Itália e o Brasil. Peccato! — afirmou a professora italiana que é a terceira Copa que assiste no país.

Quem está assistindo pela primeira vez a Copa do mundo em terra tupiniquim é a italiana Elena Rapisardi que mora em São Paulo. — É estranho seguir esta kermesse sem poder apoiar a Itália, mas agora adotei o Brasil como meu time favorito — contou a italiana que prefere assistir os jogos em casa e torce para que o time canarinho chegue na final.  Rapisardi está gostando da atmosfera de festa que se respira na cidade. — Apesar do país estar passando por uma grande crise política e econômica, o futebol age como um anestésico no sofrimento social — avaliou.

Assim como ela, outro italiano também está assistindo a sua primeira Copa do Mundo em solo brasileiro. Originário de Nápoles e milanês de adoção, Armando Lupicini está na torcida pelo Brasil.

— É uma sensação muito estranha porque a Copa é uma ocasião para reunir-se com os amigos, reaproximar-se entre os italianos que moramos longe do país, porém este ano não é assim e é um sentimento novo, um pouco estranho. Estou procurando um time para torcer e me sinto em dever de torcer pelo Brasil, morando aqui — afirmou o responsável financeiro pela América do Sul do grupo Campari.

Para ele, é muito diferente o clima da Copa do Mundo vivido no Brasil. — Na Itália é uma ocasião para organizar um almoço ou um jantar entre amigos e depois do jogo conversar e ir embora. No entanto, no Brasil é como um dia de festa, parece até um dia de Carnaval. O clima é muito bonito, é mais festivo e é mais uma demonstração de como os brasileiros aproveitam qualquer ocasião para comemorar, que seja o Carnaval que é o ápice, mas também as festas juninas que duram quase dois meses e a Copa que é um momento de união, mas ao mesmo tempo é um momento de festa — contou o italiano que mora há dois anos em São Paulo e se surpreendeu com a quantidade de bandeiras do Brasil penduradas pela cidade, nos carros e nos escritórios.