O presidente da Bienal de Veneza, Paolo Baratta, apresentou em Ca’ Giustinian, nessa  última segunda-feira (16), o manifesto da edição da mostra de 2019, ilustrado pelo novo curador do evento, Ralph Rugoff, que promete complexidade e contradição. A Bienal de Arte Contemporânea acontece do dia 11 de maio a 24 de novembro do ano que vem

A arte não deveria andar de mãos dadas com “o conformismo da simplicidade”, mas “abraçada com a contradição”, a fim de fornecer instrumentos para compreeender perspectivas diferentes.

Essa é a ideia principal do manifesto feito por Rugoff, que pretende combater o modelo imposto de discussão polarizada.

“A arte nos dá instrumentos para perceber a complexidade”, disse ele. “É impossível o diálogo entre extremos opostos. A internet permitiu esse cenário, em que hoje posso escolher ver só as notícias que eu gosto no celular.” Segundo ele, a arte tem um papel de extrema importância por desenvolver a compreensão de perspectivas diversas. Assim, na próxima edição da Bienal de Arte, em Veneza, o objetivo será colocar em discussão categorias sob vários ângulos, mostrando todos os pontos de vista.

O título que segue a edição é “may you live in interesting times” (que você possa viver em tempos interessantes). É um provérbio chinês, muito utilizado na política dos anos 30 e 60 na Itália. “Não existem dúvidas de que os nossos tempos são interessantes”, afirmou Rugoff.

“As coisas mudam de modo imprevisível”, disse o curador, lembrando das mudanças de governo recentes que ninguém teria previsto, o inusitado Brexit, a eleição de Donald Trump, e o nascimento de governos na Europa modelos do fascismo, o que não acontecia desde os anos 30.

“Arte é conversa, experiência. Em uma mostra, o importante é sair dela enxergando o mundo de uma outra forma”, enfatizou o curador.

Além disso, na edição de 2019, os próprios artistas se tornarão também curadores, já que poderão indicar colegas que gostariam de ver expondo seus materiais. O presidente Paolo Baratta recordou, na apresentação, o sucesso da Bienal nos últimos anos: “com 615 mil visitantes, a mostra tem se tornado mais independente, sem necessidade de apoios externos, e esperamos que continue assim”.

(Agência ANSA)