O governo da Áustria retomou um projeto para oferecer cidadania do país a italianos de língua materna alemã ou ladina residentes na província autônoma de Bolzano-Alto Ádige, no extremo-norte da Itália

Segundo o jornal austríaco “Tiroler Tageszeitung”, o texto deve estar pronto na primeira semana de setembro, para ser submetido ao Parlamento. Ainda assim, Viena garante que pretende agir em “consenso” com Roma, que critica a iniciativa.

“Qualquer solução será elaborada em diálogo com Roma e com Bolzano”, afirmou um porta-voz do governo da Áustria, que prevê a entrada em vigor da nova regra para “não antes de 2019 ou 2020”. O ministro italiano das Relações Exteriores, Enzo Moavero, pediu para seu embaixador em Viena, Sergio Barbanti, cobrar esclarecimentos às “autoridades competentes”.

“A concessão de cidadania por um Estado a cidadãos de outro Estado, sendo que eles já compartilham a cidadania europeia, nos parece uma grande disputa de cidadanias e de palavras”, disse o chanceler nessa última segunda-feira (23), acrescentando que a proposta é “curiosa”.

Poucas horas antes, o ministro para as Relações com o Parlamento da Itália, Riccardo Fraccaro, havia chamado o projeto de “ato hostil”.

Entenda

A proposta foi apresentada em dezembro passado, pela legenda ultranacionalista Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), que integra o governo conservador de Sebastian Kurz, mas provocou reações na Itália, que teme o renascimento de sentimentos separatistas no Alto Ádige.

A ideia é que cidadãos da província que se autodeclarem alemães ou ladinos no formulário de pertencimento linguístico possam obter a cidadania austríaca. Com isso, eles teriam a possibilidade até de se alistar no Exército de Viena.

Bolzano é a única divisão administrativa da Itália onde os que têm o italiano como língua materna são minoria (aproximadamente um terço dos moradores). Ela faz parte da região de Trentino-Alto Ádige e pertencia ao Império Austro-Húngaro, mas foi cedida ao Reino da Itália após a Primeira Guerra Mundial.

Nos anos do fascismo, Benito Mussolini tentou “italianizar” Bolzano à força, mas sem sucesso. Atualmente, a província goza de ampla autonomia em relação a Roma, porém abriga pequenos movimentos que defendem sua anexação pela Áustria.

(Agência ANSA)