Os beneficiados são italianos de língua materna alemã e moradores de Bolzano

O governo da Áustria reafirmou nesta terça-feira (16) a proposta de oferecer cidadania a italianos de língua materna alemã e residentes na província autônoma de Bolzano-Alto Ádige, que havia provocado protestos de Roma, mas prometeu não adotar ações “unilaterais”.

Após uma reunião com o ministro italiano de Relações Exteriores, Angelino Alfano, sua homóloga austríaca, Karin Kneissl, disse que não tomará nenhuma medida sem levar em conta “todos os interlocutores”.

A proposta foi apresentada em dezembro passado, pela legenda ultranacionalista Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), que integra o governo do chanceler conservador Sebastian Kurz, mas provocou reações na Itália, que teme o renascimento dos sentimentos separatistas no Alto Ádige.

“Essa possibilidade faz parte do pacote do novo governo austríaco, mas cada medida será feita levando em conta todos os interlocutores. Naturalmente, há um longo processo jurídico a ser percorrido”, afirmou Kneissl.

Anteriormente, o FPÖ havia dito que o plano entraria em vigor já em 2018.

A proposta prevê que cidadãos do Alto Ádige que se autodeclarem alemães no formulário de pertencimento linguístico possam obter a cidadania austríaca. Com isso, eles teriam a possibilidade até de se alistar no Exército de Viena.

A província de Bolzano é a única divisão administrativa do país onde os que têm o italiano como língua materna são minoria (aproximadamente um terço dos moradores).

Ela faz parte da região de Trentino-Alto Ádige e pertencia ao Império Austro-Húngaro, mas foi cedida ao Reino da Itália após a Primeira Guerra Mundial.

Nos anos do fascismo, Benito Mussolini tentou “italianizar” Bolzano à força, mas sem sucesso.

Atualmente, a província goza de ampla autonomia em relação a Roma, porém abriga movimentos que defendem sua anexação pela Áustria.

“Aprecio muito as palavras do premier Sebastian Kurz e da colega Kneissl sobre o fato de que somos países que discutem, mas que não tomam decisões unilaterais”, afirmou Alfano, que definiu o encontro com sua homóloga como “muito positivo e construtivo”. (ANSA)