O governo da Áustria decidiu “congelar” o projeto para oferecer cidadania a italianos de língua materna alemã residentes na província autônoma de Bolzano-Alto Ádige, que é motivo de preocupação em Roma

Segundo o jornal “Tiroler Tageszeitung”, Viena quer aguardar o resultado das eleições regionais de Trentino-Alto Ádige, no extremo-norte da Itália, que estão previstas para o outono europeu de 2018 – entre setembro e dezembro.

Atualmente, um grupo de trabalho organizado pela ministra austríaca das Relações Exteriores, Karin Kneissl, estuda a viabilidade da proposta, e seu parecer deve ser divulgado ainda no primeiro semestre.

No entanto, o chanceler do país, Sebastian Kurz, e o presidente da província de Bolzano, Arno Kompatscher, concordaram que o Parlamento de Viena não analisará a medida antes das eleições.

“A questão da dupla cidadania é uma matéria jurídica e política complexa, e seu aprofundamento requere tempo”, afirmou Kompatscher, eleito pelo partido que representa os grupos linguísticos alemães e ladinos (idioma reto-românico, derivado do latim).

A proposta foi apresentada em dezembro passado, pela legenda ultranacionalista Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), que integra o governo conservador de Kurz, mas provocou reações na Itália, que teme o renascimento dos sentimentos separatistas entre os moradores do Alto Ádige.

A ideia é que cidadãos da província que se autodeclarem alemães ou ladinos no formulário de pertencimento linguístico possam obter a cidadania austríaca. Com isso, eles teriam a possibilidade até de se alistar no Exército de Viena. Bolzano é a única divisão administrativa do país onde os que têm o italiano como língua materna são minoria (aproximadamente um terço dos moradores). Ela faz parte da região de Trentino-Alto Ádige e pertencia ao Império Austro-Húngaro, mas foi cedida ao Reino da Itália após a Primeira Guerra Mundial.

Nos anos do fascismo, Benito Mussolini tentou “italianizar” Bolzano à força, mas sem sucesso. Atualmente, a província goza de ampla autonomia em relação a Roma, porém abriga movimentos que defendem sua anexação pela Áustria. (ANSA)