Primeira rodada de consultas não teve resultado concreto

Um mês após as eleições legislativas de 4 de março, a população italiana ainda não sabe quem será o próximo premier.

A primeira rodada de consultas com o presidente da República, Sergio Mattarella, acabou nesta quinta (5). Contudo, nenhum indício de acordo entre as três forças que controlam o Parlamento foi notado.

O Movimento 5 Estrelas (M5S), que tem 34% das cadeiras no Senado e 35% na Câmara, foi o partido mais votado do país. Combatendo, inclusive, o sistema e a política tradicional. Porém, agora é necessário apelar a adversários para conseguir chegar ao poder.

Por um lado, o líder do M5S, Luigi Di Maio, tenta tirar a ultranacionalista Liga Norte da coalizão conservadora. A qual venceu as eleições. A Liga tem cerca de 19% do Parlamento.

Por outro, tenta atrair o social-democrata Partido Democrático (PD), ou ao menos parte de seus senadores (16%) e deputados (17%).

Entretanto, Di Maio não cogita governar ao lado do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. E nem do também ex-premier Matteo Renzi, secretário do PD até recentemente.

“Agora devemos encontrar uma solução para o país, sozinhos não podemos governar”, reconheceu Di Maio. Mas afirmou que não é possível fazer um governo de “mudança” ao lado de Berlusconi.

Salvini teria que desistir do cargo de premier

Na prática, o líder do M5S tenta pressionar Matteo Salvini, secretário da Liga, a tirar seu partido da aliança conservadora para formar um gabinete com as forças antissistemas. Para isso, no entanto, o ultranacionalista teria de abrir mão da cadeira de primeiro-ministro.

Até o momento, Salvini vem negociando no âmbito da aliança de direita, que tem 42% do Parlamento. E tenta levá-lo ao comando do governo.

Por causa disso, Di Maio mantém as portas abertas ao PD, tentando apelar ao presidente Mattarella para aumentar a pressão sobre o partido centro-esquerdista.

Liderado de forma interina por Maurizio Martina, o PD garante que ficará na oposição. Mas a legenda é formada por diferentes correntes que poderiam se separar de uma hora para outra.

Algumas delas, como a “AreaDem”, a maior de todas, foram cortejadas por Di Maio nos últimos dias.

Até o momento, não há possibilidade de acordo. Por isso, Mattarella convocou os partidos a uma nova rodada de consultas, na próxima semana. Caso o impasse persista, o presidente pode ser forçado a convocar novas eleições.

(com informações da ANSA)