Terrorista conseguiu refúgio no Brasil, mas fugiu para a Bolívia quando teve sua extradição autorizada. Ele irá cumprir pena por quatro assassinatos no seu país

O terrorista Cesare Battisti desembarcou no aeroporto de Ciampino, em Roma, nesta segunda-feira (14). Ele será levado para um presídio na periferia de Roma. No sábado (12), Battisti foi entregue pela polícia boliviana às autoridades da Itália na cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde foi preso.

No caminho ao presídio, patrulhas fecharão os acessos para que o comboio chegue rapidamente ao local, como informa o jornal “Corriere della Sera”. O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, disse que iria ao aeroporto para receber Battisti, a quem ele chama de “assassino comunista”.

Integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, Battisti foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos nos anos 1970. Ele defende que nunca matou ninguém e se diz vítima de perseguição política.

O ministro italiano Matteo Salvini conversa com o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, no aeroporto Ciampino, antes da chegada de Cesare Battisti a Roma, observado pelo deputado ítalo-brasileiro Luis Roberto Lorenzato

Foram 37 anos de fuga permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça da Itália. Battisti escapou do seu país na década de 1980, viveu na França, no Brasil e, mais recentemente, havia se escondido na Bolívia.

O italiano chegou a conseguir refúgio no Brasil em 2007. Mas o status, concedido a ele pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi revisto em dezembro do ano passado, por Michel Temer, que autorizou sua extradição. A Polícia Federal fez mais de 30 operações para localizá-lo, mas não teve sucesso.