O futuro acordo de governo entre Movimento 5 Estrelas (M5S) e Liga na Itália terá de ser aprovado pelos filiados do partido antissistema em sua plataforma online, a “Rousseau”

O anúncio foi feito por Davide Casaleggio, responsável pela consultoria digital privada que está por trás de toda a estrutura do movimento. “O eventual contrato de governo que será subscrito por M5S e Liga será submetido a voto na plataforma Rousseau”, disse, durante uma coletiva em Roma nesta sexta-feira (11).

Segundo Casaleggio, a aprovação ou não dos filiados do M5S será “determinante” para o nascimento da coalizão entre os dois partidos. “Na Alemanha, o governo foi ratificado pelos inscritos do SPD [Partido Social-Democrata]. Nós faremos de modo diferente, pedindo para os filiados votarem online, e não em cédulas de papel”, acrescentou.

Todas as decisões importantes do Movimento 5 Estrelas são submetidas a votações na internet, inclusive a nomeação de seu atual “líder político”, Luigi Di Maio. A plataforma “Rousseau” é uma espécie de “sistema operacional” do M5S, mas não se sabe exatamente quantos eleitores estão inscritos – fala-se em algumas dezenas de milhares.

Além disso, adversários do movimento já levantaram suspeitas de conflitos de interesses e sobre o sigilo dos votos dos filiados, embora Casaleggio garanta a segurança da “Rousseau” para os eleitores. A plataforma é financiada pelos próprios parlamentares do M5S, que precisam desembolsar 300 euros por mês para pagar as despesas.

Ela é gerida pela “Associação Rousseau”, presidida pelo próprio Davide Casaleggio, filho de Gianroberto Casaleggio (1954-2016), o “ideólogo” do Movimento 5 Estrelas e de seu sistema de democracia direta. Até esta sexta-feira, segundo o próprio site da plataforma, ela havia recebido quase 600 mil euros em doações.

Também nesta sexta, Casaleggio teve uma reunião com Luigi Di Maio e o fundador do M5S, Beppe Grillo, em Roma. Na Liga, a ideia de submeter o acordo de governo a votação online foi recebida com irritação. “Quem comanda no M5S, Di Maio ou Casaleggio?”, disseram pessoas do partido. (Agência ANSA)