As democracias italiana e brasileira sofrem de círculo vicioso. Quanto mais aumenta o distanciamento da política e o desinteresse pela gestão pública, pior fica a sociedade e a democracia mais enfraquecida. Existe uma enorme reserva de boa vontade, de capacidade e experiência social, e para isso basta ver o enorme número de voluntários para causas humanitárias entre os dois países. Porém, essa mesma reserva que se une para causas emergenciais e nobres acham a política deprimente. É preciso ter força e paixão para transformar o desgosto com as mazelas do dia a dia em uma sociedade melhor. Um projeto humano que pense não no imediato presente, mas no futuro de verdade. Um futuro a ser conquistado com perseverança. Da mesma forma que a geração passada buscou a democracia enfrentando guerras e a reconstrução dos países, buscou o boom econômico e um bem-estar difuso na Europa.

Um futuro incerto deprime os cidadãos. É preciso entusiasmo para construir um mundo melhor. E o remédio não é uma democracia mais populista ou uma democracia fechada em si, mas uma democracia que seja sim antipopulista e liberal, para contrastar com a ditadura e reconciliar o interesse de todos, inclusive das minorias.

Notícias de que países desenvolvidos buscam se fechar e adotam medidas com doses agudas de tirania não contribuem para um futuro melhor. Causam, muitas vezes, confusão no imaginário de muitos que acreditam mesmo em caminhos que vão contra os valores fundamentais, a tolerância, a liberdade e a justiça. Os italianos costumam dizer que “Tutto il mondo è paese” justamente para indicar como certas coisas acontecem independente do lugar que se esteja e a semelhança entre as atitudes dos indivíduos.

Por isso, os bons devem desenhar um projeto comum e transformador. A palavra “crime” na maioria das vezes se associa a palavra “organizado”. E isso acontece porque os infratores se organizam, pois perseguem um interesse claro e forte e a falta de escrúpulo é o que os move. Já os bons são muitas vezes desorganizados porque tem interesses múltiplos e muitas vezes conflitantes, são prudentes e de bom senso em suas ações. Por isso serve uma força motivadora emergencial capaz de produzir superação. Esta força se traduz em esperança. Não uma ilusão produzida por um ópio ocasional, mas uma colaboração entre pessoas de bem para mover a atual máquina confusa e viciada e necessária. Somente com colaboração e coordenação é possível construir uma base sólida para que a inteligência participativa alcance a interface adequada de sucesso. Só com boa vontade e as diversas qualidades colocadas na mesma direção a sociedade civil pode melhorar e participar de maneira natural da vida política e da gestão do Estado. Quanto antes os bons se unirem, maiores as chances para o nosso futuro.

Boa leitura!