Tristes fenômenos mostram movimentos sociais similares entre italianos e brasileiros. Se de um lado a crise migratória dos últimos anos provocou uma profunda mudança na mentalidade coletiva do país europeu, do outro, o aumento da violência nos centros urbanos determina a mudança de humor e atitude dos cidadãos do país sul-americano. Povos considerados muito generosos em relação ao outro, abertos ao convívio, hoje enfrentam a ansiedade que a insegurança, em suas diferentes proporções, provoca.

O fato é evidente na ferramenta mais determinante para os povos democráticos: o voto. Sobretudo, em busca de mudanças políticas para combater a imigração em massa, a Itália mudou o modo de governar. O Brasil, que vai às urnas em outubro, busca, com grande ênfase e a preço de aceitar qualquer veemência humana, uma solução para o alto índice de criminalidade que aflige o país. Os discursos de candidatos próximos às Forças Armadas ganham mais peso nesse cenário. Os índices de pesquisas mostram que existe um claro conforto do eleitor em direção aos que defendem os princípios morais e a mão pesada contra a criminalidade.

Ambas as sociedades se sentem prisioneiras ao serem privadas no cotidiano. Depois de 80 anos do período fascista, a questão da soberania nacional italiana parece se confundir com novas tentações nacionalistas extremas. É evidente que existe um problema de gestão da fuga em massa, principalmente advinda da África para a Europa, que deve ser solucionada pelos países membros. Se fala, inclusive, de um verdadeiro plano Marshall para combater a pobreza no continente africano, o que interessaria diretamente aos países ricos. E por aqui, será que o próximo governo federal brasileiro fará um plano Marshall para atacar as raízes do problema? Assim como fechar a entrada pelas costas europeias não resolve a fundo o problema da migração de africanos, no Brasil não bastará revidar o tiro do criminoso, mas investir em princípios básicos como educação e saúde para a população.

O premiado antropólogo italiano Massimo Canevacci esteve no Rio de Janeiro e concedeu uma interessante entrevista nesta edição da Comunità, onde trata de temas atuais e afirma justamente que a maior violência do país está na falta de acesso à educação básica.

Esperamos, que num futuro mais próximo, as sociedades voltem a tratar de temas da evolução e não da involução da raça humana para determinar o voto em seus governantes.

Boa leitura!